“Quanto devo pagar por um vídeo de UGC?” é a pergunta que trava toda primeira campanha. Pagar de menos devolve um vídeo que não dá para usar. Pagar de mais, sem saber por quê, cria um teto que a marca não consegue repetir na campanha seguinte.
Por que não se orça por “nível de creator”
A forma mais comum de apresentar valor de UGC é uma escada de três degraus: iniciante, intermediário, profissional. É um jeito ruim de orçar, por dois motivos práticos.
O primeiro é que ela não responde nada. Duas pessoas no mesmo “degrau” podem entregar um depoimento de trinta segundos ou três vídeos roteirizados com variações de gancho, e obviamente esses trabalhos não valem o mesmo. O rótulo colado na pessoa não diz o que vai chegar.
O segundo é que ela precifica gente, e não trabalho. Quem está no primeiro ano tem menos histórico, e não menos valor por hora de produção. O mercado que se organiza assim empurra quem está começando para baixo por definição, e faz a marca pagar caro por um crachá em vez de pagar pela entrega.
O que determina o valor é sempre o mesmo par: o que está sendo produzido, e o que a marca vai poder fazer com aquilo depois.
Por que as réguas publicadas erram para cima
Não existe pesquisa de valor por vídeo publicada no Brasil. O que circula são réguas montadas por quem acompanha o mercado, e elas têm um viés previsível: descrevem o teto que dá para negociar, não o que é efetivamente transacionado. Quem escreve uma régua escreve para quem quer cobrar mais, não para quem quer saber a média.
Dá para verificar isso cruzando duas fontes. A régua mais divulgada coloca um pacote de três vídeos entre R$ 1.200 e R$ 4.000. Ao mesmo tempo, na sexta edição da pesquisa Creators & Negócios da YOUPIX, publicada em novembro de 2025, mais de 40% dos creators brasileiros recebem até R$ 2 mil por mês, somando tudo que fazem. Nessa faixa, um único pacote de três vídeos pagaria de um a dois meses inteiros de trabalho. Os dois números não descrevem o mesmo mercado.
Por isso este texto não publica faixa em reais. Qualquer número que a gente colocasse aqui seria um chute com aparência de tabela, e viraria referência para quem está começando a cobrar. O que dá para afirmar com segurança é a proporção entre as partes, e é dela que sai o seu número.
Comece listando tudo que a campanha pede, e peça valor item a item. Nenhum destes vem incluído por padrão, e é aqui que duas propostas para o mesmo briefing ficam muito diferentes:
- Variação extra de gancho ou de chamada, para teste A/B
- Corte extra a partir do mesmo material
- Arquivos brutos, sem edição, para a marca remontar depois
- Roteiro técnico, quando o produto exige explicação
- Prazo expresso, fora do fluxo normal de agenda
- Fotos, quando a campanha pede foto além do vídeo
O que uma oferta baixa demais custa à marca
Sem tabela para consultar, a tentação é começar baixo e subir se ninguém aceitar. Parece prudente, e é o caminho mais caro que existe, porque o preço de errar para baixo não é pagar menos: é não ter o vídeo.
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O silêncio, que é o melhor cenário
Quem já entrega bem não responde e não explica por quê. A marca interpreta como falta de gente disponível, refaz o briefing igual, e perde mais duas semanas antes de descobrir que o problema era o valor.
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O sim errado, que é o caro
Alguém aceita para fechar o primeiro trabalho, sem ter o repertório que a campanha pedia. Vêm três rodadas de ajuste, o prazo estoura, e o time da marca gasta em horas internas o que economizou no cachê.
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O vídeo que não vira anúncio
O material chega tecnicamente entregue e comercialmente inútil: iluminação ruim, áudio sujo, produto mal enquadrado. Não dá para impulsionar, e a campanha volta à estaca zero com o dinheiro já gasto.
Some o ciclo inteiro antes de comparar valores. Uma campanha refeita duas vezes custa mais do que uma paga direito na primeira, e custa também as seis semanas que já passaram. É por isso que a pergunta útil não é “qual o mínimo que consigo pagar”, e sim “qual o valor que faz esta campanha acontecer uma vez só”.
Vale lembrar de quem está do outro lado. Como mostra a pesquisa da YOUPIX, boa parte de quem responde a briefing de UGC no Brasil está formando reputação agora, e por isso aceita mais do que deveria. Uma marca que se aproveita disso consegue um vídeo barato e queima o próprio acesso: quem entregou insatisfeito não volta na segunda campanha, e é a segunda que faz o conteúdo ficar barato de verdade, porque o briefing já está entendido.
O que se soma por direito de uso
Aqui está a maior parte da diferença entre duas propostas. A mesma entrega muda de valor conforme o que a marca vai poder fazer com ela.
O Influencer Brasil organiza esse acréscimo em camadas de percentual sobre a entrega: uso orgânico pela marca soma de 20% a 60%, anúncio veiculado pela marca de 50% a 150%, e whitelisting, que é anunciar pelo perfil de quem gravou, de 80% a 250%.
- Exclusividade: pergunte por quanto tempo e multiplique pelo período pedido. Em nicho que a pessoa atende muito, é razoável que ela recuse.
- Gestão da campanha, e não só a gravação: costuma ser cobrada como percentual do orçamento total.
- Renovação: combine desde o início o que acontece quando o prazo acabar, porque renovar com a campanha performando é a pior hora de negociar.
O que olhar no lugar do rótulo de nível
Se o degrau não serve para orçar, ele também não serve para escolher. O que responde de verdade é o histórico, e ele é verificável: trabalhos já concluídos, avaliações deixadas por outras marcas, portfólio em vídeo e cumprimento de prazo.
É essa a diferença entre contratar por reputação e contratar por rótulo. Um perfil sem histórico não vale menos por hora de produção; ele apenas exige um teste menor primeiro, com escopo curto e direitos combinados, que é como qualquer marca deveria começar de todo jeito.
Na Simmark, esses sinais ficam à vista antes do convite: nota, número de trabalhos concluídos, portfólio e as avaliações que outras marcas deixaram. E quem define o valor da campanha é a marca, no briefing, com esse valor saindo integral para quem grava. A régua deixa de ser um degrau atribuído a alguém e passa a ser o que a pessoa já entregou.

Como montar a sua proposta
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Descreva a entrega antes de pensar em valor
Quantos vídeos, de quantos segundos, com ou sem roteiro, com quantas variações e quantas rodadas de ajuste. Sem isso, qualquer número é chute, inclusive o de quem vai gravar.
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Peça valor item a item, não um número fechado
Vídeo, variações, cortes, arquivos brutos e prazo entram separados. Proposta detalhada dá para comparar; número redondo, não.
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Some os direitos de uso à parte, e mostre essa separação na proposta
Deixar visível o que é produção e o que é veiculação evita a renegociação depois e mostra que a marca sabe o que está contratando.
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Peça a mesma proposta a três pessoas
É o único jeito de conhecer a faixa real do seu nicho. Por conta própria, isso é conversa por mensagem uma a uma; num app de UGC como a Simmark, o briefing sai uma vez e as respostas voltam comparáveis, com portfólio e avaliação ao lado.
Quem vai responder ao seu briefing
Na sexta edição da pesquisa Creators & Negócios, da YOUPIX, publicada em novembro de 2025, mais de 40% dos creators brasileiros recebem até R$ 2 mil por mês, e entre quem tem menos de um ano de carreira o UGC lidera a monetização.
Isso quer dizer que o valor que a sua marca oferece funciona como referência de mercado para muita gente que está formando reputação agora. É responsabilidade, e é também vantagem: marca que paga com clareza e combina direitos por escrito é a marca com quem se quer trabalhar de novo, e a segunda campanha custa menos esforço do que a primeira.
Não existe faixa publicada em que dê para confiar, e é por isso que este texto não traz uma. O caminho seguro é descrever a entrega em detalhe e pedir a mesma proposta a três pessoas: a mediana das três diz mais sobre o seu nicho e o seu produto do que qualquer tabela geral.
Sim, e essa é a diferença que mais pesa. As réguas publicadas somam de 50% a 150% sobre a entrega para anúncio veiculado pela marca, e chegam a 250% para whitelisting.
Não, a menos que a campanha seja declaradamente por permuta e a pessoa aceite nesses termos. Produto é insumo do trabalho. Tratar o envio como abatimento é o desentendimento mais comum em primeira campanha.
Vale quando a campanha depende de roteiro, prazo curto ou tema técnico, porque menos rodadas de ajuste compensam o valor maior. Para unboxing e depoimento, o que decide é a adequação ao produto, não o tempo de estrada.
Em geral o problema não é só o número, é a relação entre o número e o escopo. Direitos amplos, exclusividade e prazo curto encarecem a entrega sem que a marca perceba. Reduzir o escopo costuma resolver mais rápido do que aumentar o valor, e silêncio repetido é a resposta do mercado dizendo que a conta não fecha.
Antes de mandar a proposta
0/7Resumindo
- Orçar por “nível de creator” precifica gente, e não trabalho, e não diz o que vai ser entregue.
- As réguas publicadas no Brasil descrevem teto de negociação, não o que o mercado transaciona.
- Errar para baixo não economiza: devolve silêncio, retrabalho ou um vídeo que não vira anúncio.
- O que se pode afirmar é a proporção: anúncio da marca soma de 50% a 150% sobre a entrega, e whitelisting chega a 250%.
- Histórico, portfólio e avaliação de outras marcas substituem o rótulo de nível na hora de escolher.
- Três propostas para o mesmo briefing dão a faixa real do seu nicho em uma semana.
Com a faixa em mãos, os dois passos seguintes são entender os direitos de uso a fundo, que é o que mais mexe no valor, e escrever um briefing que traga o conteúdo certo já na primeira entrega. Se o que você quer agora é o custo total da campanha, e não o valor por entrega, veja quanto custa UGC no Brasil.


